Entre a vida e a morte
As pessoas morrem por amor.
Morrem do excesso,
do peito aberto,
da entrega sem freio,
do coração que insiste quando o mundo já pediu pausa.
Morrem porque amar é risco,
é caminhar sem armadura,
é colocar a vida inteira
na mão trêmula de alguém
e dizer que não se cuida.
Mas há uma morte mais silenciosa.
A que não sangra,
não grita,
não deixa corpo no chão.
É a morte de quem não ama.
Quem não ama respira,
mas não vive.
Cumpre horários,
coleciona dias,
atravessa anos como quem atravessa corredores vazios.
Sem amor, o tempo passa,
nada acontece.
Amar mata, sim.
Mata o medo antigo,
mata versões pequenas de nós,
mata a ilusão de que estamos a sós.
E às vezes mata a gente também.
Mas é uma morte que vale a pena,
porque só quem matou, digo amou de verdade
sabe o gosto brutal
de estar vivo.
