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Receio

O prato chega.
Não há recusa — apenas silêncio.
Os olhos perguntam antes da boca responder.
A primeira mordida não é fome,
é coragem pequena.

Ao fundo, o cachorro late — hereux,
não porque soubesse o fim,
mas porque já sentia o começo.
Há coisas que o corpo entende
antes do pensamento alcançar.

A casa respira devagar,
o cheiro sobe no ar feito convite tímido.
Entre idas e vindas da dúvida,
não é a perfeição do prato que importa,
mas o que ele desperta.

Pois entre acertos e receitas exatas,
mais vale o sentir
do que qualquer trabalho bem feito.

E então se entende:
o momento não espera —
ele nasce quando alguém decide ir.
Levantar o garfo, atravessar o receio,
aceitar o encontro.

E assim, quase sem perceber,
o gosto acontece
como quem chega em casa sem dizer a que veio.

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